Espessuras de Chapas Metálicas: Tabela Técnica EXP e GME
Trabalho com chapas metálicas há mais de 20 anos e vou ser direto: a maioria dos problemas que vejo em obra acontece por erro na especificação da espessura. Chapa fina demais cede, chapa grossa demais pesa no orçamento e na estrutura de suporte. A boa notícia é que o padrão de fabricação brasileiro é amplo, regulado por normas ABNT, e oferece margem suficiente para você encontrar a espessura exata que precisa.
As espessuras de chapas metálicas variam conforme o tipo de produto. Nas chapas expandidas, temos dois padrões principais: EXP (linha leve, de 0,6 mm a 4,7 mm) e GME (linha pesada, de 4,75 mm a 9,5 mm). Nas perfuradas, a faixa vai de 0,8 mm a 15 mm. Cada faixa atende aplicações específicas, e o segredo está em cruzar a espessura com o cordão, a área aberta e o peso por metro quadrado.
Abaixo, organizei as tabelas técnicas completas para você consultar antes de especificar. Todas as medidas seguem padrão ABNT.

Como a Espessura Afeta o Desempenho Estrutural
A espessura da chapa metálica define diretamente a capacidade de carga, a resistência à deformação e a durabilidade em campo. Chapas expandidas, por exemplo, passam por um processo de cisalhamento múltiplo em prensa-dobradeira, o que pode aumentar a área da peça em até 10 vezes seu tamanho original. Esse processo forma as malhas losangulares características, cuja geometria distribui tensões e aumenta a área aberta sem comprometer a integridade estrutural.
Na prática, isso significa que uma chapa expandida bem especificada substitui grades de piso, chapas xadrez e telas soldadas, com redução de peso e custo. Mas para isso funcionar, a espessura e o cordão precisam estar compatíveis com a sobrecarga prevista. Abaixo, mostro como cada padrão se comporta.
Padrão EXP: Especificações para Aplicações de Sobrecarga Leve
O padrão EXP é a linha leve das chapas expandidas. Espessuras entre 0,6 mm e 4,7 mm, cordões finos (de 0,8 mm a 5 mm), e área aberta que pode chegar a 89%. É o padrão indicado para filtragem, classificação de materiais, telas divisórias, proteções de máquinas, brises, fachadas ventiladas, guarda-corpos e gradis de proteção.
Veja a tabela completa:
| Código | A (mm) | B (mm) | Espessura (mm) | Cordão (mm) | AA% | Peso/m² (kg) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| EXP – 5 | 5,5 | 10 | 0,6 | 0,8 | 71,0% | 1,37 |
| EXP – 5 – A | 5,5 | 10 | 0,75 | 0,8 | 71,0% | 1,71 |
| EXP – 5 – B | 5,5 | 10 | 0,9 | 1 | 64,0% | 2,57 |
| EXP – 9 | 9 | 20 | 0,9 | 1 | 78,0% | 1,57 |
| EXP – 9 – A | 9 | 20 | 1,25 | 1,5 | 66,5% | 3,27 |
| EXP – 12 | 12 | 25 | 0,9 | 1 | 83,0% | 1,18 |
| EXP – 12 – A | 12 | 25 | 1,25 | 1,5 | 75,0% | 2,45 |
| EXP – 12 – B | 12 | 25 | 1,5 | 1,8 | 70,0% | 3,53 |
| EXP – 12 – C | 12 | 25 | 1,5 | 2,2 | 63,0% | 4,32 |
| EXP – 12 – D | 12 | 25 | 2 | 2,5 | 58,0% | 6,54 |
| EXP – 20 | 20 | 50 | 1,5 | 2 | 80,0% | 2,36 |
| EXP – 20 – A | 20 | 50 | 2 | 2,5 | 75,0% | 3,93 |
| EXP – 20 – B | 20 | 50 | 3 | 3,5 | 65,0% | 8,24 |
| EXP – 29 | 29 | 54 | 2 | 3 | 79,0% | 3,25 |
| EXP – 38 | 38 | 75 | 1,5 | 2 | 89,0% | 1,24 |
| EXP – 38 – A | 38 | 75 | 1,9 | 2,5 | 86,5% | 1,96 |
| EXP – 38 – B | 38 | 75 | 3 | 3,8 | 80,0% | 4,71 |
| EXP – 38 – C | 38 | 75 | 4,7 | 5 | 73,5% | 9,71 |
Observe que a relação entre espessura e cordão varia. Quanto maior o cordão em relação à espessura, maior a resistência à flexão, mas menor a área aberta. Para brises e fachadas, prefira códigos com AA% acima de 75%. Para proteções de máquinas com exigência de retenção de partículas, os códigos com AA% entre 60% e 70% funcionam melhor.
Padrão GME: Especificações para Cargas Pesadas e Uso Industrial
O padrão GME é a linha pesada. Espessuras de 4,75 mm a 9,5 mm, cordões robustos (de 4,7 mm a 10,3 mm), e peso por metro quadrado que pode passar de 40 kg. Esse padrão atende equipamentos industriais, implementos agrícolas, indústria naval, plataformas petrolíferas e construções metálicas de grande porte.
Veja a tabela completa:
| Código | A (mm) | B (mm) | Espessura (mm) | Cordão (mm) | AA% | Peso/m² (kg) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| GME – 1 | 36 | 100 | 6,35 | 7,5 | 59,0% | 20,77 |
| GME – 1A | 40 | 100 | 6,35 | 6,5 | 59,0% | 16,2 |
| GME – 1B | 45 | 100 | 6,35 | 6,5 | 58,0% | 14,4 |
| GME – 1C | 50 | 100 | 6,35 | 6,5 | 52,6% | 12,96 |
| GME – 2 | 51 | 150 | 6,35 | 7,8 | 56,7% | 15,25 |
| GME – 3 | 34 | 133 | 4,75 | 4,7 | 69,4% | 10,31 |
| GME – 3A | 40 | 100 | 4,75 | 4,8 | 59,0% | 8,95 |
| GME – 3B | 45 | 100 | 4,75 | 4,8 | 58,4% | 7,95 |
| GME – 3C | 41 | 133 | 4,75 | 4,8 | 66,0% | 8,73 |
| GME – 3D | 50 | 100 | 4,75 | 4,8 | 53,0% | 7,16 |
| GME – 4 | 34 | 133 | 4,75 | 6,8 | 69,4% | 14,92 |
| GME – 4A | 40 | 100 | 4,75 | 6,5 | 59,0% | 12,12 |
| GME – 4B | 45 | 100 | 4,75 | 6,5 | 58,4% | 10,77 |
| GME – 4C | 41 | 133 | 4,75 | 6,5 | 66,0% | 11,82 |
| GME – 4D | 50 | 100 | 4,7 | 6,5 | 53,0% | 9,69 |
| GME – 5 | 34 | 133 | 6,35 | 7,6 | 69,8% | 22,28 |
| GME – 5A | 34 | 133 | 6,35 | 6,5 | 69,8% | 19,06 |
| GME – 5B | 41 | 133 | 6,35 | 6,5 | 67,0% | 15,81 |
| GME – 6 | 34 | 133 | 6,35 | 9,5 | 69,8% | 27,86 |
| GME – 6A | 41 | 133 | 6,35 | 9,5 | 67,0% | 23,1 |
| GME – 7 | 34 | 133 | 8 | 8,9 | 70,0% | 32,88 |
| GME – 7A | 41 | 133 | 8 | 8,9 | 67,0% | 27,26 |
| GME – 8 | 34 | 133 | 8 | 10,3 | 70,0% | 38,05 |
| GME – 8A | 34 | 133 | 8 | 8 | 70,0% | 29,55 |
| GME – 8B | 41 | 133 | 8 | 10,3 | 67,0% | 31,55 |
| GME – 9 | 34 | 133 | 9,5 | 9,5 | 71,0% | 41,67 |
| GME – 9A | 41 | 133 | 9,5 | 9,5 | 67,5% | 34,56 |
Note que os códigos GME com espessura de 8 mm e 9,5 mm atendem aplicações de alta exigência mecânica. Em plataformas de passarela industrial, por exemplo, o GME-8 ou GME-9 com cordão acima de 9 mm oferecem capacidade de carga compatível com tráfego de pessoas e equipamentos leves.
Chapas Perfuradas: Relação Entre Espessura e Diâmetro do Furo
Nas chapas perfuradas, a espessura disponível varia de 0,8 mm a 15 mm, dependendo do material. O processo de fabricação é diferente: a chapa passa por estampo em mesa rotativa, que replica o desenho da ferramenta em toda a superfície. Isso permite flexibilidade no padrão de furação, mas impõe limites técnicos na relação entre espessura e diâmetro mínimo do furo.
Veja os limites por material:
| Material | Tamanho Mínimo do Furo |
|---|---|
| Aço Carbono | Igual à espessura |
| Alumínio | Igual à espessura |
| ACM | Igual à espessura |
| Aço Inox 430/304/316 | 2x superior à espessura |
Isso significa que, em aço inox, uma chapa de 2 mm de espessura só aceita furos a partir de 4 mm de diâmetro. Essa regra evita rebarbas, deformação das bordas e quebra de punções durante a fabricação. Para aplicações que exigem furos menores, considere reduzir a espessura ou trocar o material.
As chapas perfuradas atendem setores como moagem, classificação, secagem, filtragem, centrifugação, acústica, iluminação e refrigeração. A escolha da espessura depende da sobrecarga mecânica e da necessidade de resistência à corrosão, que varia conforme o ambiente de operação.
Para projetos que exigem resistência estrutural combinada com área aberta elevada, as chapas expandidas tendem a oferecer melhor relação custo-benefício. A geometria losangular distribui tensões de forma mais eficiente que furos circulares, e o processo de fabricação gera menos perda de material.
Se você está especificando chapas metálicas para um projeto industrial, comercial ou de construção civil, consulte nosso catálogo técnico. Trabalhamos com alumínio, aço carbono, aço galvanizado e aço inoxidável em todos os padrões apresentados.